ARTICLE 02

A EMERSIOLOGIA DO CORPO VIVO NA DANÇA CONTEMPORÂNEA (Andrieu, B. & Nóbrega, T.P)

http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/download/4079/150

 

ARTICLE 01


 

DAR-SE EM VERTIGEM: UMA FILOSOFIA DO CORPO E DE SUAS SENSAÇÕES T. P. NÓBREGA UFRN.

T. P. NÓBREGA UFRN. Programa de Pós-Graduação em Educação. Bolsista CAPES de Estágio Sênior – École Normale Supérieure/Paris. pnobrega@ufrnet.br

Programa de Pós-Graduação em Educação. Bolsista CAPES de Estágio Sênior – École Normale Supérieure/Paris. pnobrega@ufrnet.br

Resenha submetida em novembro/2014 e aceito em novembro/2014 DOI: 10.15628/holos.2014.2584

HOLOS, Ano 30, Vol. 5


“Dar-se em Vertigem: as artes imersivas” é o livro recentemente publicado pelo filósofo francês Bernard Andrieu, autor de várias obras sobre a temática do corpo publicadas em língua francesa. Em língua portuguesa podemos encontrar “A Nova filosofia do corpo”, editada pelo Instituto Piaget na Coleção Epistemologia e Sociedade (ANDRIEU, 2004).

O livro aborda a imersão experiencial que faz com que percamos nossas referências, como na vertigem, seja por meio de técnicas de privação e de estimulação sensoriais ou de situações inéditas, invasivas ou não. A interação é dinamizada na imersão, colocando-se o corpo em uma situação de plasticidade na qual ele poderá ou não atualizar potenciais endógenos e criar novos dispositivos neuronais e existenciais. “A vertigem interior que experimentamos estando incorporado na imagem, no meio ou em outra pessoa é produzida pela ativação de zonas cerebrais, mesmo se nosso corpo está na realidade imóvel diante de seu console, seu capacete, face a imagem ou aos elementos” (ANDRIEU, 2014, p. 17).

Os argumentos são bem documentados e enriquecidos com os relatos em primeira pessoa, incluindo àqueles do autor. Ao começar a leitura podemos nos deleitar com a epigrafe que dá o tom e que permeia todo o texto, qual seja, as sensações do corpo vivo e sua expressão como corpo vivido. O autor nos convida à leitura de sua obra nos oferecendo um trecho de Chronique d’hiver1 de Paul Auster e que merece aqui ser transcrito: “Talvez seja melhor deixar de lado as suas histórias por ora e tentar examinar a sensação de viver dentro deste corpo, desde o primeiro dia da sua vida do qual você se lembra até hoje. Um catálogo de dados sensoriais. O que poderia ser denominado fenomenologia da respiração” (AUSTER, 2014, p. 7;8). Esse trecho da crônica expressa de modo poético o que Bernard Andrieu propõe em seu livro, a saber: dar-se em vertigem, mergulhar no corpo e revelar uma cartografia de nossas paisagens internas ao mesmo tempo que nos faz criar novos esquemas corporais de empatia e relação com o mundo.

O autor faz uma leitura da obra Traité du vertige (Tratado da Vertigem), escrito por La Mettrie em 1737, destacando entre outros aspectos que os estados de alma são sempre correlativos àqueles do corpo. Nesse contexto, ser uma máquina animada – referência a obra L’homme Machine (O Homem Máquina) – diferentemente da máquina pensante do conexionismo, é fazer da reflexão uma propriedade da matéria organizada. Na vertigem, a perturbação sentida por uma perda de referência pode, como descreve La Mettrie, precipitar o sujeito em uma fluidez muito intensa que não lhe permite mais de se conter suficientemente para se manter no espaço e no tempo. “O sentimento de sua própria identidade torna-se precário quando da vertigem dado o desenvolvimento em si de uma sensação invasiva face ao controle consciente da sensibilidade. A perda de controle atinge o cérebro a ponto de perturbar a consciência e mergulhar o sujeito em seu corpo” (ANDRIEU, 201, p. 41). Essa vertigem pode se encontrar na velocidade, nas drogas, nos surtos, no orgasmo, mas também em outras interações técnicas, as quais o autor denomina de artes imersivas, como os esportes radicais, as atividades circenses, a dança e a yoga, por exemplo.


¹AUSTER, Paul. Diário de Inverno. Tradução de Paulo Henriques Brito. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

Uma primeira nota a se fazer sobre o livro é a inversão do ponto de vista da filosofia do corpo. Ao invés do corpo vivido, tema primeiro da fenomenologia do corpo, o autor trata do corpo vivo. O que isso significa? Bernard Andrieu nos propõe mergulhar na profundidade do corpo e de suas sensações. Não se trata de descrever a experiência do corpo vivido, mas sim de se entregar a escuta do corpo, tal como acontece com a respiração, o batimento cardíaco, a circulação do sangue e muitos outros índices corporais que só podem chegar a dimensão da consciência, portanto do relato da experiência vivida, com um atraso que vai de 350 a 500 mil segundos da atividade cerebral. Assim, tomando como referência diversos estudos atuais obre o cérebro o autor afirma que há um atraso sobre o que se passa no corpo até que a sensação possa chegar a níveis de consciência e portanto dos relatos descritivos.

Nesse sentido, o filósofo nos apresenta um novo contexto em que o corpo vivo age a despeito do sujeito consciente por meio da motricidade de sua ação e que nem sempre é percebida pelo sujeito consciente a qual Bernard Andrieu nomeia “pré-motricidade”. Esta se efetua através de sensações internas e que o sujeito ressente. Por meio da percepção o sujeito pode descrever essa atividade do corpo vivo, mas há uma incapacidade de objetiva-la inteiramente. Desse modo, o que o sujeito vive é sempre maior e mais abrangente do que ele pode dizer.

No contexto das sensações, a propriocepção e a exteriocepção exprimem uma função singular. “A propriocepção parece assegurar esse conhecimento do corpo em primeira pessoa através das sensações produzidas pela experiência do nosso corpo. Na exteriocepção, MerleauPonty precisa ‘a consciência do corpo invade o corpo’ através do estímulo” (ANDRIEU, 2014, p. 67). Há pois uma construção de referenciais sobre o movimento e sobre o espaço incarnado que corresponde ao uso que fazemos do corpo na ação. Propriocepção e exteriocepção são como notas melódicas que nos colocam nesse estado de escuta sensível em relação ao nosso corpo e a seu entorno. Bernard Andrieu aproxima essa noção de intercorporeidade ao contexto de uma ecologia do corpo, com ênfase nessa relação direta corpo e mundo, no qual a consciência e a linguagem racional não ocupam o lugar central.

Entre os conceitos apresentados para apoiar sua tese encontra-se a noção de intercorporeidade2 como sendo uma dimensão inconsciente que nos religa ao corpo e ao mundo mais diretamente. Essa noção cuja inspiração vem da obra de Merleau-Ponty. Com base nessas referências, o autor vai explorar a profundidade do corpo em relatos em primeira pessoa nas quais se destaca o risco de se sentir (ressentir), se dar a vertigem, mergulhar nas sensações como ocorre em situações de êxtase, de sofrimento ou de prazer ou em práticas esportivas difundidas entre adolescentes como o “parkour” ou outros rituais sociais como festas ou em casos como a anorexia.

Bernard Andrieu também se concentra em exemplos artísticos como o caso do circo e da dança. No circo, as sensações produzem um confiança corporal em que a dor e as lesões são o preço a pagar. Para ele, a dor, a lesão e o sofrimento colocam o artista em seu corpo, sendo um exemplo da noção de intercorporeidade e da ligação direta com essa realidade e que se configura como uma consciência empática.


²A noção de intercorporeidade também aparece nos esboços sobre o corpo e natureza para dizer da relação dos outros corpos humanos com os corpos-coisas e a penetração dos sensíveis. “As coisas como sendo aquilo que falta ao meu corpo” (MERLEAU-PONTY, 1995, p.281).

O livro apresenta vários relatos de experiências imersivas a começar pelas vividas pelo próprio autor. Narrando sua própria experiência com a dança, bem como reportando-se a narrativas de coreógrafos como Boris Charmatz e sua abordagem radical da dança ou a outros artistas como Triswa Brow e Vanderkeybus, o filósofo interroga se é o corpo que dança ou se é a dança que o conduz em suas formas e movimentos. De fato, a dança não é somente modificação da matéria afim de exprimir uma forma. O corpo dançante está além de qualquer técnica e sempre haverá uma distância entre o que foi previsto e o que é vivido.

Mas, atenção! A dança é apenas uma das artes imersivas apresentadas na obra. O autor trata do circo, da yoga e de outras práticas que podem ser consideradas nesse ponto de vista de dispositivo imersivo como mergulho e aprofundamento nas sensações. “O aprofundamento de si é a descoberta, sob a superfície da pele de uma profunda sensibilidade interna. Contornando ou se desviando das normas até então incorporadas, o sujeito contemporâneo descobre o espaço interior de seu corpo” (ANDRIEU, 2014, P. 159).

Esse aprofundamento se revela pela emergência de novas sensações do corpo vivo. Nesse sentido, as técnicas de corpo interrogam as condições de aprendizagem dos gestos no corpo vivo e no corpo vivido. Bernard Andrieu mostra inúmeros exemplos dessas experiências que ele reporta ao corpo vivo (le corps vivant) por meio dos relatos em primeira pessoa que expõem a imersão no corpo.

A arte de mergulhar no corpo exige dispositivos imersivos. O dispositivo é um lugar, uma instância, um meio, como por exemplo, um museu ou um espetáculo, no qual a eficácia performativa é suficiente para produzir um efeito inédito no corpo. Esse efeito é uma experiência imersiva pelas emoções, imagens e sensações produzidas de maneira voluntária e involuntária.

A emersão (s’émerser) é uma atividade interna do cérebro e desencadeia a emergência até os níveis conscientes. De acordo com o autor, há uma diferença entre a emersão e a enação (énaction) de Francisco Varela pois na primeira não se visa uma saída cognitiva uma vez que se admite a diferença qualitativa entre o que é ativado no cérebro pelo corpo vivo e o que é percebido em níveis conscientes. Trata-se de uma ontologia da descontinuidade em uma epistemologia do afastamento criativo entre o corpo vivo e o corpo vivido.

Importante registrar que há sempre uma diferença entre o que se produz internamente em nosso corpo e sua expressão traduzida em imagem, som, vibração e cor, sendo a expressão sempre qualitativamente menos intensa. Assim, aceitar não ter o controle sobre tudo, deixar-se imergir para fazer emergir em si novas experiências e sensações exige uma disposição para liberar o potencial humano por meio do corpo e intensificar a expressão corporal.

A partir dessa proposição Bernard Andrieu nos oferece novas sensações, expressões, paisagens para a filosofia do corpo que ultrapassam o primado da filosofia da linguagem e que permite fazer emergir o corpo vivo e suas sensações. Assim, podemos quem sabe sair do campo da representação do corpo para a experiência do corpo vivo. Trata-se de uma amplificação do corpo vivido tal qual a fenomenologia da percepção nos apresenta, com ênfase nos traços do vivo em mim, sejam esses traços crônicos, traumatizantes ou prazerosos.

O dispositivo imersivo produz modalidades inéditas baseadas nas sensações internas, notadamente no estado de vertigem em suas múltiplas formas: a vertigem do amor, do orgasmo, da dor, da liberdade, da dança, do transe, dos esportes radicais. Porém o método de descrição, de narração e de expressão dessa vertigem é o método do afastamento entre o vivo e o vivido, ou NÓBREGA (2014) HOLOS, Ano 30, Vol. 5 405 seja, entre o que acontece de fato no corpo e aquilo que pela linguagem podemos expressar. Destaca-se aqui o trabalho de criação artística, por exemplo, como uma possibilidade de se imergir.

A obra de Bernard Andrieu nos dá a vertigem, nos mergulha na intimidade das sensações para reconhecer a distância entre o que se passa no corpo e aquilo que podemos descrever em terceira pessoa sob o domínio da linguagem. Mas, sentir a vertigem é também produzir novos dispositivos, novos esquemas corporais e outras possibilidades de expressão em um registro no qual temos no mínimo dificuldade de separar o que se produz em nós e o que provém do mundo. “Nossas sensações se avivam e nossa empatia se ativa inconscientemente” (ANDRIEU, 2014, p. 194).

De acordo com o autor “o corpo é o buraco negro delimitado por orifícios os quais apenas exaltamos o erotismo de suas superfícies (…). Voltando-se à pele pela sensibilidade intima, a vertigem revela em nós uma cartografia das cavernas interiores” (ANDRIEU, 2014, 195). E é esse continente que o filosofo francês nos convida a percorrer em seu livro vertiginoso, por assim dizer.

Compreendo que a obra “Dar-se em Vertigem: as artes imersivas”amplifica as abordagens em filosofia do corpo, incluindo as de natureza fenomenológica que temos conhecimento ao mergulhar na sensorialidade, reconhecendo a estesia do corpo vivo e seu distanciamento da expressão. Tal lacuna, tal distância, tal impossibilidade de tudo dizer e de tudo descrever não é uma barreira, um impedimento à criação, ao contrário, é um desafio a se permitir explorar novas sensações inclusive a perda de sentidos, em particular àqueles das normas e da linguagem instituída.


REFERÊNCIAS

1. ANDRIEU, Bernard. Donner le vertige: les arts immersifs. Liber: Montreal, 2014.

2. _____. A nova Filosofia do corpo. Lisboa: Instituto Piaget, 2004.

3. AUSTER, Paul. Diário de Inverno. Tradução de Paulo Henriques Brito. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

4. MERLEAU-PONTY, Maurice. La Nature. Notes de cours au Collège de France. Texte établi par Dominique Séglard. Paris : Seuil, 1995.


ARTICLE 02


 

Résumé

Nous présentons ici trois types de fondateurs de l’écologie corporelle, les naturistes et naturiens, les immerseurs écologiques et les émerseurs de conscience.

Abstract

We present here three types of founders of the physical ecology, the naturists and naturiens, the ecological immersors and the emerors of consciousness

Mots Clés

Key Word : Body, Immersion, experience

Les fondateurs de l’écologie corporelle : Immerseurs-Naturiens-Emerseurs

Bernard Andrieu

L’écologie corporelle est une discipline issue du naturisme philosophique, de l’écologie profonde et des pratiques holistiques du corps-cerveau–esprit développés depuis 1850 dans les milieux de l’expérience corporelle : loisirs corporels (Raveneau, Sirost eds., 2012)1 , vie en plein air (Sirost, 2009)2 , éveil corporel, techniques du corps (Marcel Mauss)3 , pratiques de conscience corporelle et immersions dans des milieux. Mais à la différence de l’écologie politique des pionniers comme l’immersion dans la mer qui nous entoure de Rachel Carlson (1907-1964), la critique des technologies de Barry Commoner (1917-2012), l’anarchisme de Murray Bookchin (1921-2006) ou l’écologie et la liberté d’André Gortz (1923-2007), l’écologie corporelle se propose de modifier la relation du corps à la nature et à l’environnement à partir d’une modification de la conscience, d’un éveil sensoriel et d’une émersion dans le corps des effets du milieu en lui.

L’écologie corporelle (Andrieu, 2009-2011)4 est une micro-écologie. C’est parce qu’on transforme les pratiques des individus qu’on transforme l’écologie du monde. L’idée est d’expérimenter en situation des modifications de pratiques sensorielle. Pour sentir différemment son environnement il faut consentir à se déroutiniser pour faire émerger d’autres modes d’existence, de déplacement et de relation. L’écologie corporelle trouve dans les pratiquants de l’immersion dans les milieux qui sont venus modifier leur compréhension de l’écosystème et les modes d’action du corps dans ces situations en action. En s’immergeant « en terre inconnue », le corps du sujet éprouve un décalage entre ses coordonnées sensorielles habituelles et leur recalibration nécessaire pour s’adapter à la situation.


¹ Gilles Raveneau et Olivier Sirost eds., 2012, Anthropologie des abris de loisirs, Presses universitaires de Paris Ouest

² Sirost O., 2009, La vie au grand air. Aventures du corps et évasions vers la nature, P.U. Nancy, coll. Épistémologie du corps.

³ Marcel Mauss, 2012, Technique, technologie et civilisation, ed. Nathan Schlanger, Paris, P.U.F.

4 Andrieu B., 2009-2011, L’écologie corporelle, 4 tomes, Prendre l’air (2009), Bien dans l’eau (2010), En plein soleil (2011), Un gout de Terre (2011), Paris, Seguier/ Atlantica.

L’écologie corporelle n’est pas un discours, c’est une pratique corporelle qui engage notre responsabilité quotidienne (Sirost ed., 2013)5 : au quotidien à travers une réflexion sur nos gestes et ses conséquences pour autrui et pour la nature. Prendre soin de soi, des autres et de la nature est une même éthique concrète : l’écologie corporelle est une pratique de soi qui prend soin des autres par ses choix de vie. Avec l’écologie corporelle, la cosmotique ne se tient ni à distance ni en idolâtrie les éléments naturels ; la nature n’est ni bonne ni mauvaise mais elle questionne sans relâche nos interactions physiques avec elle par les limites même de notre corps et l’inventivité verte de nos techniques.

Ainsi s’immonder est différent de transformer son corps pour dominer la nature par l’agilité, la force et l’adaptation. L’immersion de la nature dans le corps implique une écologisation de ses techniques, habitus et matières par la plasticité sans parvenir à une maitrise des éléments mais à une connaissance relationnelle entre eux et notre corps. S’amonder consiste à se couper de la naturalité de la nature en développant un style colonial, conquérant. Faute d’être écologisé par la naturalité de la nature, le corps est submergé par l’élément dont il n’a pas élaboré par l’incorporation une connaissance par corps. Il ne sait adapter son corps à la modification que lui présente ou impose son environnement au point de s’y blesser ou pire d’y mourir.

Ainsi Christopher McCandless dit « Alexander Supertramp » (1968-1992) quitte Atlanta en juillet 1990. Ses pérégrinations le mèneront tout au long du sud des États-Unis, à travers la Géorgie, la Louisiane, le Texas, le Nouveau-Mexique, l’Arizona, la Californie, l’Oregon, le Montana puis, via le Canada, l’Alaska. Il termine son journal par ses mots : « Extremely weak, fault of pot. Seed. Much trouble just to stand up. Starting. Great Jeopardy » 6 . Sa mort prouve une méconnaissance du milieu et du caractère impréparé pour l’aventure en pleine nature n’étant pas parvenu à mesurer la naturalité de la nature, devenu une pure extériorité. Sukkwan Island7 est justement une fiction de l’inécologisation du héros qui voudrait revenir dans la nature sans être préparé suffisamment aux conséquences d’une immersion subite et du jour au lendemain.


5 Sirost O. ed., 2013, Le corps au quotidien. Sociologie des expériences corporelles, P.U. Nancy.

6 Jon Krakauer, 1996, Into the wild, New York Anchor Books, p. 189.

7 D. Vann, 2008, Sukkwan Island, Paris, éditions Gallmeister, coll.Nature writing.

Nous présentons ici trois types de fondateurs de l’écologie corporelle, les naturistes8 et naturiens, les immerseurs écologiques et les émerseurs de conscience : immergés dans les milieux les écologues du corps font l’expérience par corps de la transformation de soi en s’adaptant de manière plus ou moins volontaire et consciente en passant de l’environnement extérieur jusqu’au milieux neuro-virtuels :

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Avec une écologie environnementale, la conscience écologique trouve dans les techniques de restauration et de recyclage le moyen de préserver et de s’insérer dans des écosystèmes : les immerseurs écologiques auront pénétré la nature sauvage et constaté la dégradation humaine mais en définissant une philosophie de l’immersion esthétique et esthesiologique dans les éléments. Les immerseurs témoignent dans le vif de leur chair de l’impression et de l’empreinte des éléments dans leur corps à corps. A la différence des naturistes et des naturiens qui maîtrisent leur corps en le purifiant par une revigoration, l’immerseur(euse) s’enfonce dans la nature pour ensauvager son corps afin d’éprouver la modification sans le contrôle de la volonté comme l’avancée de la glace qui force à l’hivernage d’Ernest Shackleton (1874- 1922) ou la rencontre d’autres cultures jusqu’au Tibet par Alexandra David-Néel (1868- 1969).

Les naturistes et naturiens cherchent l’auto-santé9 comme une médecine réflexive par la diététique et la naturalité pure là ou les émerseurs utilisent les techniques du corps10 pour éveiller dans le corps des activations d’abord insensibles puis plus consciente au fur et à mesure du travail corporel. L’approfondissement d soi pratiqué par les émerseurs est moins la purification naturiste qu’une interaction corps-esprit-nature. Pour les immerseurs se fondre dans le milieu suffira à fourniraux corps de nouvelles expériences sensorielles et une mémoire expérientielle en reculant les limites du corps. Le corps y active des processus d’adaptation dans le cours même de ses immersions. L’émersion est une activation plu volontaire chez les émerseurs de conscience par l’acquisition et le développement personnel.


8 Bauberot A., 2004, Histoire du naturisme : Le mythe du retour à la nature, P.U. de Rennes. Villaret S., 2005, Histoire du naturisme en France depuis le siècle des Lumières, Paris, Vuibert.

9 Andrieu B., 2012, L’autosanté. Vers une médecine réflexive, Paris, Armand Colin, Préface Christian Hervé.

10 Doganis Basile, 2012, Pensées du corps. La philosophie des arts gestuels japonais (Danse ; Théâtre, arts matiaux), Paris, Belles lettres, p. 78-79. Grison Benoit ed. 2012, Bien être/Etre bien ? – Les techniques de conscience du corps entre Orient et Occident, Paris, ed L’harmattan.

Des naturistes aux naturiens La nudité, l’ascèse et la gymnastique11 sont avec les naturistes des techniques expérientielles qui transforment le vécu corporel. Le naturisme, autrefois Gymnosophie, est né en France, avec le géographe Élisée Reclus (1830-1905)12 qui y voyait en 1866 à la fois un moyen de revitalisation physique, un rapport au corps complètement différent de l’hypocrisie et des tabous qui sévissaient alors, une conception plus conviviale de la vie en société, et une incitation à respecter la planète. Hugo Höppener dit Fidus (1868-1948)13 crée en 1894 une “prière de lumière” (un jeune homme qui étire ses bras dans le ciel) qui devient le symbole de cette culture du corps. Le sociologue Heinrich Pudor (1865-1943) est considéré comme “le père de la culture de corps”14. C’est sous le nom d’emprunt Heinrich Scham qu’il a publié plus de 110 livres. Dès 1893 il avait publié à DresdenLoschwitz un pamphlet intitulé Nackende Menschen. Jauche der Zukunft (Les Hommes nus. Un cri triomphant lancé au futur), et inventera en 1906 le mot Nacktkultur (culture du nu) dans son Katechismus der Nacktkultur. Dans le Guide pratique de l’Education physique, publié en 1909, G. Hebert soutient cette méthode d’entraînement à résistance au froid et aux intempéries qui « se fait tout naturellement en travaillant le torse nu, au moyen de bains d’air en toutes saisons » 15 . Dans Le code de la force en 1910, Georges Hébert (1875-1957) estime que le dévêtissement pudique à des fins d’endurcissement est la condition nécessaire pour les bains d’eau d’air et de soleil, s’opposant ainsi à ceux qui « redoutaient l’exercice par crainte de l’effort, l’action vivifiante du grand air, la chaleur même du soleil » 16 . En 1920, Adolf Koch (1896-1970), l’enseignant berlinois, obtient le droit de faire pratiquer à ses élèves des cours d’éducation physique en nu intégral en fondant “l’École des nudistes” avec une gymnastique spéciale, présentée publiquement jusquedans les années 30 au Berliner Schauspielhaus. Il publie en 1929 “Nudité, culture du corps et éducation.


11 Peeters, Evert , 2006, Authenticity and Asceticism: Discourse and Performance in Nude Culture and Health Reform in Belgium, 1920-1940 Journal of the History of Sexuality, Volume 15, Number 3, July 2006, pp. 432-461 Michael Hau, The Cult of Health and Beauty in Germany: A Social History 1890–1930 (Chicago: University of Chicago Press, 2003), 82–100, 150–75; Chad Ross, Naked Germany: Health, Race and the Nation (Oxford: Berg, 2005), 1–15, 135–60.

12 Reclus E., 1866, Du sentiment de la nature dans les sociétés modernes”, La Revue des deux mondes, n° 63, 15 mai 1866, pp.352-381.

13 Janos Frecot, Johann Friedrich Geist, and Diethart Kerbs, Fidus, 1868–1948: Zur ästhetischen Praxis bürgerlicher Fluchtbewegungen (Munich: Rogner und Bernhard, 1972), 9–12, 15–24;

14 Marc Cluet, 2000, La “libre culture”. Le mouvement nudiste en Allemagne depuis ses origines au seuil du XXe siècle jusqu’à l’arrivée de Hitler au pouvoir (1905-1933). Présupposés, développements et enjeux idéologiques”, Université Paris-Sorbonne-Paris IV.

15 Hebert G., 1909, Guide pratique d’Education physique, Paris, Vuibert, p. 8 16 Hebert G., 1910, Le code de la force, Paris, Vuibert, p. 91.

Mais les naturiens anarchistes, à la différence des naturistes aussi intégristes, engagent leur corps aussi dans un retour économique à la Terre. Végetalisme et anarchisme en action se sépareront du naturisme par un retour à une vie sans contact avec la civilisation Les naturiens, courant apparu en 1874 à Paris, ont l’idée de retrouver en cultivant la terre dans son état naturel et intégral : pour cela la vie de l’individu dans la forêt doit se réaliser avec un minimum d’industrie individuelle. Les personnalités dominantes ce végétarisme17 dans les milieux naturiens furent Georges Butaud (1868-1926), sa compagne Sophia Zaïkowska (1875-1939), et Louis Rimbault (1877-1949). Cette nouvelle orientation fut qualifiée par les naturiens d’origine de « néo-naturianisme » et ses tenants de « néo-naturiens », selon un terme créé par Henri Zisly (1872-1945) en 1913. Avec Terre libérée (1923-1939) Louis Rimbault (1877-1949) le végétalisme devient un projet communautaire : il veut créer « une œuvre sérieuse et durable, sans tendance, consacrée à l’étude de la libération individuelle la plus entière et la plus immédiate » 18 . Avec les soutiens du Dr Legrain médecin-aliéniste, du Paul Carton (1875-1947), de Jacques Demarquette (1888- 1969), de Marcel Labbé19, de Jean Morand20 ou de Charles Richet, Rimbault en 1924 dirigea une colonie agricole autarcique, pratiquant le végétalisme, à Luynes, en Indre-et-Loire, du nom de Terre Libérée.

A Monte Verita dans les environs de Locarno, sur les bords du lac Majeur, se crée en 1900 une communauté végétariste et naturiste réunissant Henri Oedenkoven (1875-1935), sa compagne Ida Hofmann (1873-1952)21, le poète Gustav Gräser (1879-1958)22, Jenny Hofmann sœur d’Ida, Karl Gräser (1875-1915), frère de Gustav, la peintre Lotte Hattemer (1876-1906)23 et son ami le théosophe Ferdinand Brune. En 1905, cinq années après leur arrivée sur les lieux, Henri Oedenkoven publia un dépliant intitulé « Statuts provisoires de la société végétarienne du Monte Verità », où l’on peut lire que le but de la coopérative était l’élaboration de nouveaux modes de vies (aujourd’hui, on dirait « alternatifs »), en vue « d’un meilleur accord avec les lois de la nature ». L’écrivain Hermann Hesse, le philosophe Martin Buber, le politicien Gustav Landauer, Emile Jacques-Dalcroze (1865-1950), l’inventeur de la gymnastique rythmique, Rudolf Laban, chorégraphe et théoricien de la danse avec qui Isadora Duncan dansera nue en 1903, le psychanalyste Otto Gross, pionnier de larévolution sexuelle, le poète Gusto Gräsern l’écrivain Erich Mühsam, anarchiste mais aussi Hermann Hesse, Gerhard Hauptmann, Max Weber, Gustav Jung, André Gide, Rudolf Steiner, Erich Mühsam et Hans Arp y trouvent une source d’inspiration.


17 www.vegetarisme.fr. André Mery pour L’alliance Végétarienne a réalisé une histoire très précise sur la base d’archives de ce mouvement sous le titre « Eléments d’histoire du végétarisme en France », 1998, Cahier n°2, 20 p.

18 Rimbault L., “La Terre Libérée”, Le Néo-Naturien, n° 14, octobre-novembre 1923

19 Chef de laboratoire à la clinique Laennec, auteur avec son frère et Louis Landozy d’une étude sur l’hygiène alimentaire des ouvriers parisiens (1905). En relation avec la Société Végétarienne de France.

20 Secrétaire général de la Société Végétarienne de France.

21 Elle publia trois livres Ida Hofmann-Oedenkoven, Wie gelangen wir Frauen zu harmonischen und gesunden Daseinsbedingungen ?, Ascona, 1902.Ida Hofmann-Oedenkoven, Vegetarismus ! Vegetabilismus ! Blätter zur Verbreitung vegetarischer Lebensweise, Monte Verità, Ascona, 1905. Ida Hofmann-Oedenkoven, Monte Verità. Wahrheit ohne Dichtung, Karl Röhm, Lorch/Württemberg, 1906

22 Gräser G., 1918, Winke zur Genesung unsres Lebens. Sprüche und Gedichte. Ascona.

23 Otto Gross lui fournit, à Ascona, en 1906 du poison pour son suicide.

Des immerseurs ecologiques Les immerseurs sentent la nature par des expériences dans la nature. Selon Arne Naess (1912-2009) dans la conception environnementale, l’homme est au centre de son environnement, avec l’idée de la maîtrise de la nature, et non l’idée de l’homme au sein d’un écosystème qui y serait immergé. Une conception environnementale s’oppose à l’écologie profonde24 selon laquelle l’homme serait un des ingrédients de la nature. Dans le premier modèle l’homme est en surplomb de la nature, dans le second il est immergé dans la nature.

Dans son premier texte, publié de manière anonyme, en 1836 sur La nature, Ralph Waldo Emerson (1803-1882) décrit, dans une cosmosensation, comment « en présence de la nature, une joie sauvage parcourt » 25 l’homme ; l’ajustement des sens internes et externes dans le commerce avec le ciel et la terre produit en l’esprit une intensité. Emerson théorise la vie dans les bois que Thoreau mettra en œuvre dans son expérience et son journal de Walden : « dans les bois aussi, un homme se débarrasse de ses années comme le serpent de son ancienne peau – et à quelque période de la vie qu’il soit, il est toujours un enfant. Dans les bois se trouve la jeunesse éternelle » 26 . Publié en 1854, Walden raconte la vie que Thoreau a passé, depuis 1845, dans une cabane pendant deux ans, deux mois, et deux jours, dans la forêt appartenant à son ami et mentor Ralph Waldo Emerson, jouxtant l’Étang de Walden (Walden Pond). Cette solitude révèle la Nature à son essentiel du vivre, du couvert, du vêtement et du combustible : « La grande nécessité, donc, pour nos corps, est de se tenir chauds, de retenir en nous la chaleur vitale » 27. Cette « pauvreté volontaire » 28 porte non seulement sur la matérialité de notre existence mais sur l’attitude envers les éléments de la nature comme le lever de soleil dont « il était de toute importance d’y être seulement présent » 29. Cette présence immédiate à la Terre doit réduire la différence, notamment la misère d’habitat entre le civilisé et le sauvage, car le premier n’est pas plus respectable que le second : « la simplicité et la nudité mêmes de la vie de l’homme aux âges primitifs impliquent au moins cet avantage, qu’elles le laissaient n’être qu’un passant dans la nature » 30


24 Naess A., 2009, Vers l’écologie profonde, Paris, Ed WildProject.

25 Emerson R.W., 1836, La nature, Paris, ed Allia, 2004, p. 13.

26 Op. cit., p. 14.

27 Thoreau H.D., 1854, Je vivais seul, dans les bois, Walden ou la vie dans les bois, Trd Fr, 1922, Paris, Folio Galimard, 2008, p. 24.

28 Op. cit., p. 26.

29 Op. cit., p. 31.

30 Op. cit., p. 59.

L’engagement écologique s’effectue par l’enfoncement personnel dans les terres : l’immersion dans la vie sauvage et les milieux extrêmes forge la conviction de protéger des espaces vierges contre la civilisation. George Perkins Marsh (1801- 1882) publie en 1864 Man and Nature or physical geography as modified by human action qui constitue un des premiers ouvrages sur l’écologie et joue un rôle majeur dans la création du parc Adirondack. John Muir (1838-1914), après avoir passé un été dans la Sierra31, arrive à San Francisco en mars 1868 et part immédiatement à la recherche d’un lieu dont il ne connaissait que le nom, Yosemite. Découvrant la Vallée de Yosemite, il est captivé et écrit “Aucun temple construit de la main de l’homme ne peut être comparé à Yosemite”, et “Yosemite est le plus grand de tous les temples dédiés à la Nature”. Aldo Leopold32 (1887-1948) fut lui aussi un des premiers écologistes américains, forestier et environnementaliste. Il est très lucide sur la difficulté à fonder une écologie : « l’écologie n’arrive à rien parce qu’elle est incompatible avec notre idée abrahamique de la terre. Nous abusons de la terre parce que nous la considérons comme une commodité qui nous appartient… la terre en tant que communauté, voilà la base de l’écologie, mais l’idée qu’il faut aussi l’aimer et la respecter, c’est une extension de l’éthique » 33 . Avec Ethique de la terre le philosophe J. Baird Callicott depuis 1985 s’inscrit dans l’extension de l’éthique demandé par Aldo Léopold. Le respect de la communauté en tant que telle trouve dans l’éthique de la thèse une « disposition aussi bien holistique qu’individualiste » 34 .

Mais les immerseurs sont aussi des émerseurs d’expériences nouvelles en se mettant dans des conditions d’extrémité corporelle pour se redéfinir par la capacité d’être seul, au sens de Winnicott35, dans la nature. Cette immersion dans les éléments va jusqu’à perturber les rythmes biologiques, les repères somaesthésiques et le schéma corporel. Du 18 juillet au 14 septembre 1962, Michel Siffre36 campe sur son glacier souterrain. A 130 m de profondeur, il est exposé à de continuelles chutes de glace et de roches. La température est inférieure à 0°C, l’humidité relative est de 100%. M. Siffre y est incapable d’évaluer le temps qui s’écoule. Il estime à 4 heures une journée de 14 heures. A la fin de son séjour, son évaluation personnelle a 25 jours de retard sur 58 journées “hors du temps” effectives. Ses journées sont formées d’environ 16 heures d’activité37. La nuit, il dort en moyenne 8 h, soit 1 ou 2 heures de plus qu’à son habitude. En 1972, Michel Siffre réalise une deuxième expérience souterraine de 205 jours au Texas. Sous la terre la question qui motive son action est de savoirs « si le temps est un produit de la conscience ou une réalité en soi, objective, associée à l’espace » 38 . Richard E. Byrd (1888-1957), dans son journal rédigé en 1934, et publié en 1938, lors du premier hivernage en solitaire en Antarctique dans des conditions climatiques extrêmes décrit comment l’isolement n’est pas une expérience héroïque mais expérientielle : « Et puis je désirais autre chose que l’isolement dans le sens géographique du terme. Je voulais me plonger dans une philosophie revivifiante » 39 .


31 Muir J., 1894, Un été dans la Sierra, Paris, Hoëbeke, Trad Fr Beatrice Vierne 1997.

32 http://www.aldoleopold.org

33 Leopold A., 1948, Almanach d’un comté des sables, Paris, GF., 2000Op. cit., p. 14-15.

34 Callicott J.B., 1985, Fondations de l’éthique de la terre, Ethique de la terre, Trad fr., Ed Wild Project, 2010, p. 61.

35 D. W. Winnicott, 1958, La capacité à être seul, Paris PbPayot, 2012, p. 46

36 Siffre M., 1963, Hors du temps. L’expérience du 16 juillet 1962 au fond du gouffre de Scarasson par celui qui l’a vécue, Paris, Julliard.Ed 1971 Le livre de poche

37 http://www.sitemed.fr/rythmes/rythme_3.htm. Ce site décrit à partir d’archives l’expérience physiologique et le vécu psychologique de Michel Siffre.

38 Op.cit., p. 29.

Dès Le Monde du silence, livre paru en 1953 aux éditions de Paris, l’immersion devient une expérience révélant un mode d’existence corporelle inconnue. Ses auteurs furent Jacques-Yves Cousteau (1910-1997) et Frédéric Dumas (1913-1991), avec la collaboration de James Thomas Dugan (1912-1967). Cousteau y décrit sa découverte de la mer un dimanche matin en 1936 au Mourillon près de Toulon : « je mis la tête dans l’eau et j’ouvris les yeux…Parfois, un minuscule événement peut bouleverser le cours de la vie, si nous avons la chance d’en prendre conscience, d’écarter sans hésiter l’ancienne existence et de nous précipiter dans une nouvelle, tête baissée » 40 . En 1963, Cousteau déploie Précontinent II41 construit sur les fonds de la Mer Rouge à 10 mètres de profondeur dont nous avions pu trouver des archives au Musée de l’Histoire du sport pour notre livre Bien dans l’Eau.. Une maison principale, ” l’Etoile de Mer ” côtoie un aquarium, un garage pour la soucoupe plongeante et un hangar pour le matériel. Une station profonde est installée à 15 mètres plus bas. Les cinq océanautes vont vivre pendant 1 mois sur la base ” Etoile de Mer “.

En se jetant dans le vide à une altitude de 39.000 mètres l’autrichien Félix Bamgartner a atteint une vitesse de 1174 km/h selon les premières estimations, approchant ainsi le mur du son au cours d’une chute libre de 4 minutes 10 secondes. Il pose le problème de la perception du vécu corporel dans des conditions extrêmes : «A un moment, j’ai vraiment cru que j’allais avoir des problèmes. Pendant quelques secondes, j’ai cru que j’allais m’évanouir, a-t-il raconté après son atterrissage. J’allais appuyer sur le bouton (pour un parachute de secours) mais je savais que dans ce cas, il n’y aurait pas de record …C’était difficile de ressentir un quelconque changement quand j’ai dépassé la vitesse du son à cause la combinaison. Je ne sentais pas à quelle vitesse je tombais”». La vitesse de pointe au-delà du mur du son n’aura pas pour autant été senti par son corps : « Je n’ai pas senti de mur du son. Je n’avais aucun moyen de savoir à quelle vitesse j’allais. J’étais surtout concentré sur le fait de garder le contrôle. Quand tu chutes à une telle vitesse et que tu passes par toutes les émotions, ce n’est pas facile. Tu es déshydraté, fatigué. Là-haut, c’est un autre monde. Le corps réagit différemment. Cela a été très difficile. J’ai senti beaucoup de pression au niveau du crâne mais je ne pensais pas à la mort.»

L’immersion dans des milieux pose ainsi le problème des limites de la résistance en reculant certes l’adaptation


39 Byrd Richard E., 1996, Seul, Paris, Phébus, p. 20

40 Jacques Yves Cousteau, 1957, Le voyage de la calypso. Le monde du silence, Paris, Hachette, p. 5.Photographies Luis Marden, Pierre Goupil, Louis malle et André Laban.

41 http://fr.cousteau.org/technology/precontinent

Les émerseurs de conscience Les émerseurs de conscience privilégient la voie de la méditation transcendantale et de la réflexivité en action mais par une pratique corporelle de conscience. Nous avons dressé l’inventaire de ces émerseurs(euses) dans notre ouvrage Toucher. Se soigner par le corps en distinguant les somatechnies de prise de conscience de la posture corporelle, celles de libération de l’énergie par mouvement et enfin celles de contact avec les éléments (l’eau), de toucher et de massages, que nous résumons ici par ce tableau :

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Même si nous avons pu distinguer ces techniques, le contexte holistique de chacune d’entre-elle peut créer une confusion car l’action sur une partie du corps serait immédiatement reliable aux autres parties. Seul le sujet dans son vécu corporel peut établir cette correspondance rendant invérifiable, même si la méditation yogique a pu modifier les niveaux d’activité cérébrale, mais pas improbable, une efficacité dans la perception de santé. En allant d’une hyper conscience posturale à une libération de la conscience ces techniques émersives reposent sur des dispositifs plus ou moins volontaires.

Se mettre dans un état émersant suppose un relâchement de la conscience mondaine et une acceptation profonde d’être traversé par l’information écologique produite dans notre sensibilité neuronale. En se plaçant en 1er personne, le sujet ne parvient pas à lire son cerveau42, sinon avec retard et écart par rapport à la vitalité : écart entre l’activité cérébrale et la perception en 1er personne ; traitement plus rapide que la conscience d’information afférentes et sensorielles avec des décisions qui anticipent la perception consciente. Ce traitement inconscient par le cerveau des informations mondaines peut-il être rejoint par des techniques comme le yoga en recentrant l’attention et en diminuant l’impact du monde extérieur ?

Cette écologisation de la conscience par sons système nerveux n’est pas un abandon de maitrise de soi mais une meilleure acceptation de la complémentarité entre le vivant et le vécu. Descendre en soi pour éprouver le rythme de son cerveau est une illusion produite par le transfert du modèle de la 3eme personne dans celui de la 1er personne. La visualisation de ces courbes d’activités des patientes épileptiques par l’équipe dirigée par Jean Philippe Lachaud dans son livre le Cerveau attentif, procure une régulation de la crise épileptique par le neuro-feed-back sur la conscience et sa lecture qu’elle effectue des différentes rythmicités de l’activité cérébrale. Cette régulation pourrait faire accroire en une synchronisation des rythmes conscients avec ceux inconscient du cerveau. Dans une médecine globale cette harmonisation parviendrait à synchroniser les deux rythmes par une action réciproque.

La modification de conscience tient au changement de point de vue que l’immersion dans les milieux nous procure : au lieu de coloniser les autres comme une extension de nous-mêmes, le respect de leur intégrité nous engage dans une compréhension, autant-que possible, de leur point de vue soit par une rotation mentale d’un point de vue égocentré à un point de vue égocentré, soit par une empathie plus immédiate De nouveaux axes d’étude de l’écologie corporelle sont possibles en étudiant les activités ludiques à caractère non compétitif comme le corps et les niveaux de conscience atteints dans des pratiques comme le jogging, le trekking, la marche, le yoga, le tai chi, la relaxation ou le culturisme. Mais cette fois en 1er personne.


42 P. Cassou Nogués, Lire le cerveau, Paris, Le Seuil, 2012.

Conclusion L’éthique écologique exige que nos actions dans le monde soient effectivement conformes au respect de l’intégrité des espèces, des autres et des milieux, l’usage de notre corps dépend de notre attitude à ce respect. Les immerseurs, les naturiens et les émerseurs sont moins des héros d’une hagiographie écologique que des hérauts annonçant par une vie plus pragmatique et incarnée et touchent désormais d’autres domaines dans ce que l’on peut appeler les arts immersifs43

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